Por Paulo Silva | Foto Zoom TV
Mesmo com o calendário marcando um novo ano, a realidade para milhares de moradores de Pojuca, permanece a mesma: torneiras secas, rotina comprometida e contas chegando normalmente. A crise no abastecimento de água, que já se arrasta há meses, ganhou novos contornos e passou a ser tratada oficialmente como um problema grave após chegar ao Ministério Público.
A situação motivou uma reunião no Fórum da cidade, convocada pelo promotor de Justiça Dr. Vicente Araújo, após uma representação protocolada no dia 9 de janeiro pelo vereador Betão. O encontro reuniu representantes da Embasa, da Prefeitura de Pojuca e da Câmara de Vereadores, com o objetivo de esclarecer responsabilidades e buscar soluções para um problema que afeta diretamente um direito básico da população: o acesso à água.
Meses sem água e cobranças mensais
Relatos colhidos pela reportagem da Zoom TV revelam um cenário alarmante. Em diversos bairros do município, moradores afirmam que a água simplesmente não chega. Em algumas localidades, segundo denúncias, o abastecimento teria ocorrido pouquíssimas vezes durante todo o ano passado.
Apesar disso, as contas continuam sendo emitidas mensalmente, o que gera revolta, sensação de abandono e questionamentos sobre a legalidade da cobrança por um serviço que, segundo os moradores, não é prestado de forma contínua.
Famílias relatam dificuldades para cozinhar, higienizar alimentos, manter a limpeza das casas e garantir condições básicas de saúde. Crianças, idosos e pessoas com deficiência estão entre os mais afetados.
Embasa atribui colapso à falta de energia
Durante a reunião no Fórum, no final da manhã de terça-feira (13), o coordenador Regional da Embasa, Ariosto Santos, afirmou que o problema não é a falta de água, mas sim falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica.
Segundo a empresa, interrupções no sistema elétrico da Neoenergia/Coelba, na área de captação e tratamento, teriam provocado um colapso no sistema de abastecimento, afetando cerca de 12 mil clientes no município.
“O problema não é falta de água, e sim energia. O sistema elétrico da Coelba colapsou a captação, prejudicando cerca de 12 mil clientes em Pojuca”, afirmou Ariosto Santos.
Empurra-empurra institucional
Enquanto Embasa aponta a concessionária de energia como responsável, a população segue no meio de um jogo de empurra institucional, sem respostas práticas e sem previsão concreta de normalização total do serviço.
A Neoenergia/Coelba, citada como peça central no problema, foi procurada pela reportagem da Zoom TV, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria.
Câmara e Ministério Público entram em cena
O vereador Betão, autor da representação junto ao Ministério Público, reforçou que a iniciativa nasceu do sofrimento diário da população.
“A população não aguenta mais. São bairros inteiros sem água, contas chegando normalmente e ninguém apresentando uma solução concreta. Nosso papel é cobrar e buscar respostas”, afirmou.
O presidente da Câmara de Vereadores, Leandro da 29, também destacou que o Legislativo continuará pressionando por transparência e soluções efetivas.
“A Câmara está atenta e vai continuar cobrando. A população precisa de respostas claras e soluções urgentes”, declarou.
Já o promotor de Justiça Dr. Vicente Araújo ressaltou que o Ministério Público atua para garantir direitos fundamentais.
“A água é um serviço essencial. Essa reunião busca entender as causas do problema e cobrar providências imediatas”, disse o promotor.
Prefeitura cobra providências e tenta minimizar impactos
Representando o Poder Executivo, o secretário de Serviços Públicos e Meio Ambiente, Sheldon Lustosa, afirmou que a Prefeitura acompanha a situação e cobra providências das empresas envolvidas.
“Estamos buscando alternativas para minimizar os impactos enquanto o problema não é totalmente resolvido”, explicou.
Direito básico ameaçado
A falta de água não afeta apenas o conforto, mas compromete a saúde pública, a dignidade humana e o funcionamento de escolas, comércios e serviços essenciais. Especialistas alertam que a interrupção prolongada do abastecimento pode gerar riscos sanitários e agravar desigualdades sociais.
O que fica sem resposta
- Por que a cobrança continua integral mesmo sem fornecimento regular?
- Qual o prazo real para a solução definitiva?
- Quem será responsabilizado pelos prejuízos causados à população?
- Haverá compensação financeira aos consumidores afetados?
Enquanto essas perguntas seguem sem respostas, milhares de moradores continuam convivendo com torneiras secas e boletos cheios.
A Zoom TV seguirá acompanhando o caso, cobrando respostas e dando voz à população de Pojuca.
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