
POJUCA – A manhã desta quarta-feira (15) marcou um novo capítulo para a comunidade rural do Sapé. Em um ato que reuniu gestão pública e moradores, a Prefeitura de Pojuca assinou a ordem de serviço para a pavimentação de 1.300 metros da estrada vicinal da localidade. Mais do que números — como os 7.800 m² de área total — a obra carrega a esperança de quem, há décadas, trava uma batalha diária contra o isolamento causado pelo barro.
Para quem vê de fora, pode parecer apenas uma obra de infraestrutura. Para Jacidalva dos Santos, de 62 anos, é uma questão de dignidade. Moradora do Sapé há 27 anos e feirante há quatro décadas, ela relata o esforço invisível para conseguir trabalhar.
"É muita lama. Eu já cansei de ir para a rua levar até roupa na sacola para, quando chegar lá, entrar no banheiro e ter que trocar. Tem lugar que a gente vai que não pode entrar sujo", desabafa Jacidalva, que sai de casa às 3h30 da manhã para vender roupas na feira.
Além da sujeira, o perigo dos buracos ocultos pela escuridão da madrugada e pelas poças d'água é um desafio constante para o seu carro e sua segurança. Sentimento compartilhado por Maiara Santos, que vê na chegada do asfalto o primeiro passo para outras melhorias, como o transporte público e o lazer para as crianças.
O diferencial desta obra está na tecnologia Bioenzyme. Segundo Maquelson Moreira, da Correia Engenharia LTDA, será utilizado um estabilizador orgânico biodegradável. A técnica funciona como um "cimento líquido natural", que utiliza o próprio solo da estrada, aumentando a resistência e reduzindo a permeabilidade.
O Secretário de Serviços Públicos, Sheldon Lustosa, destacou que a parceria é estratégica: a prefeitura entra com o maquinário próprio para reduzir custos, enquanto a empresa aplica a tecnologia asfáltica. "O objetivo é mobilidade, segurança e conforto para quem vive aqui", pontuou.
Durante a cerimônia, o prefeito Luizinho Trinchão enfatizou que a escolha por um modelo sustentável reforça a responsabilidade ambiental da gestão.
"Estamos promovendo melhorias concretas que impactam diretamente na qualidade de vida, aliando o progresso à preservação", afirmou o gestor.
Próximos Passos:
A partir de agora, a equipe de engenharia inicia os estudos técnicos do solo. A previsão é que as máquinas comecem o trabalho pesado em 30 dias, logo após a conclusão das análises laboratoriais.



