
Washington/Brasília – Um novo e severo capítulo de tensão diplomática se abriu entre o Brasil e os Estados Unidos nesta segunda-feira (20). O governo de Donald Trump ordenou que o delegado da Polícia Federal brasileira, Marcelo Ivo de Carvalho, deixe imediatamente o território americano. A decisão, comunicada de forma contundente pelo Departamento de Estado, marca uma das maiores crises institucionais recentes entre as duas nações.
Marcelo Ivo, que atuava como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Miami, é peça-central nas investigações que levaram à prisão do ex-diretor da ABIN e deputado federal Alexandre Ramagem. Segundo as autoridades americanas, o agente brasileiro teria abusado de suas funções para estender perseguições políticas brasileiras para dentro das fronteiras dos Estados Unidos.
Em nota oficial publicada nas redes sociais pelo Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, o governo americano foi direto:
"Nenhum estrangeiro tem o direito de manipular o sistema americano de imigração para burlar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território do país".
A manifestação desmente a narrativa anterior da Polícia Federal brasileira, que sugeria uma cooperação harmoniosa com os EUA para a captura de Ramagem. Para Washington, o que ocorreu foi uma tentativa deliberada de contornar os canais legais e utilizar a estrutura de estado americana para fins partidários.
O caso repercutiu imediatamente entre analistas políticos, que apontam para um cenário de "aparelhamento" e desrespeito à soberania estrangeira, segundo analise dos comentaristas do programa "Os Pingos nos Is", da rede Jovem Pan News.
Cristiano Beraldo: O comentarista destacou o comportamento do agente em solo americano e a gravidade da expulsão.
"Esta medida tomada pelo governo norte-americano ela é fundamental para revelar esta farsa que o governo brasileiro tentou vender à sociedade... O governo norte-americano agiu da única forma que um governo sério pode agir".
Beraldo ainda levantou questionamentos sobre o padrão de vida do delegado em Miami, descrevendo-o como "nababesco".
Roberto Mota: Para Mota, a resposta dura dos EUA é um reflexo da ousadia sem precedentes do atual governo brasileiro.
"Nem nas épocas em que o Brasil teve regimes abertamente autoritários nenhum governo teve essa ousadia de estender um braço totalitário para perseguir exilados políticos nos Estados Unidos da América... A resposta americana foi rápida e dura".
Luís Felipe Dávila: Dávila focou no impacto institucional para a Polícia Federal e a diplomacia.
"É mais um sinal do aparelhamento das instituições de estado brasileiro... instituições que passaram a funcionar como capacho da política eleitoral e da política partidária".
Bruno Musa: Musa alertou para a falta de estratégia econômica e diplomática do Brasil ao tensionar a relação com seu segundo maior parceiro comercial.
"Tentar bater no mais forte dessa maneira é pedir para apanhar... Isso é mais uma vez uma sensação da falta de estratégia e despreparo de toda a equipe brasileira".
A expulsão de Marcelo Ivo de Carvalho coloca sob suspeita outras operações internacionais da Polícia Federal e sinaliza que o governo Trump não tolerará o que classifica como "caça às bruxas" política em seu território. Enquanto o delegado prepara seu retorno ao Brasil, Brasília silencia sobre possíveis sanções internas ou a substituição do adido em Miami.