
A manhã desta quarta-feira (29), foi marcada por um misto de sensibilidade e compromisso social na Biblioteca Municipal de Pojuca. O Núcleo de Educação Inclusiva (NEI), braço fundamental da Secretaria Municipal de Educação, promoveu uma roda de conversa vital para o fortalecimento da rede de apoio escolar. O evento não foi apenas técnico, mas um espaço de acolhimento para mães atípicas que buscam, diariamente, a garantia de direitos e o desenvolvimento de seus filhos com deficiência, TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH.
O diálogo contou com a presença ativa de figuras políticas e administrativas. De acordo com o vereador Moisés Monteiro, é fundamental reconhecer a importância do diálogo contínuo entre a família, a escola e a sociedade para que a inclusão seja plena. No mesmo sentido, segundo o vereador Robe de Flozão, o desejo é de um futuro livre de preconceitos. O parlamentar demonstrou empatia ao afirmar que sente a dor e os desafios enfrentados por essas mães no cotidiano.
A Secretária de Educação, Isabel Cristina, reforçou que a gestão está de portas abertas. Segundo a secretária, o canal de diálogo permanece disponível tanto para as famílias quanto para os professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Ela garantiu ainda que acompanhará de perto os atendimentos realizados nas salas de recursos, assegurando a qualidade do serviço prestado.
A supervisora do NEI, Rita, trouxe dados que mostram a evolução do setor. De acordo com sua análise, houve um crescimento significativo no número de crianças com deficiência atendidas e na contratação de profissionais especializados entre os anos de 2017 e 2025. Uma das grandes novidades destacadas foi a implementação da modalidade de educação inclusiva itinerante, que já está em plena ação no município.
"Precisamos da participação conjunta de pais, professores e gestão. Só assim o NEI cumpre seu papel de suporte e acolhimento", pontuou Rita.
O momento de maior impacto emocional ficou por conta das mães. Em uma fala coletiva, elas cobraram maior agilidade nas marcações de terapias, essenciais para o progresso dos alunos. A psicóloga Ivoneide, mãe de gêmeos, emocionou os presentes ao relatar a jornada do diagnóstico. Segundo seu relato, a quebra da expectativa — quando o desenvolvimento do filho não segue o caminho esperado de falar ou comer sozinho — gera uma frustração profunda que exige resiliência e apoio especializado.
A Professora Kleide Pereira, pedagoga, especialista em AEE e Neuropsicopedagoga (além de colunista do Portal Zoom TV), trouxe a perspectiva de quem está na ponta do atendimento aos estudantes com TEA nível 3 de suporte. Segundo a professora, o trabalho vai muito além do pedagógico.
"Além do atendimento aos estudantes, precisamos ter um olhar sensível às mães, pois tem dias que elas só precisam de um abraço e uma palavra de motivação. O NEI estará sempre lado a lado com elas. Para a melhoria da educação especial, precisamos jogar todos do mesmo lado", afirmou Kleide Pereira.