
Genebra – A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um comunicado nesta terça-feira (05/05) alertando que pode ter ocorrido uma rara transmissão de pessoa para pessoa do hantavírus a bordo de um cruzeiro de luxo. O surto, que atingiu o navio holandês MV Hondius, já resultou na morte de três passageiros: um casal de holandeses e um cidadão alemão.
O Caso no Atlântico
O navio, que partiu da Argentina em março, encontra-se atualmente retido próximo a Cabo Verde, na costa da África Ocidental. Até o momento, foram identificados sete casos (entre confirmados e suspeitos) da doença. A principal hipótese é que a primeira infecção tenha ocorrido em terra, possivelmente na Argentina, por meio do contato com roedores silvestres.
No entanto, o que preocupa as autoridades de saúde é a possibilidade de o vírus ter se espalhado entre passageiros com contato próximo a bordo. Embora o hantavírus seja geralmente transmitido pela inalação de aerossóis de fezes ou urina de ratos infectados, a cepa Andes (que circula na América do Sul) é conhecida por permitir, em casos excepcionais, o contágio entre seres humanos.
Resposta Internacional
A especialista da OMS, Maria Van Kerkhove, enfatizou que, apesar do surto localizado, o risco para a população geral permanece baixo. “Este não é um vírus que se espalha como a gripe ou a COVID-19”, afirmou.
Atualmente, a OMS trabalha na retirada médica de passageiros sintomáticos e no rastreamento de contatos. Uma das vítimas, uma mulher holandesa, faleceu na África do Sul após ser evacuada; as autoridades agora tentam localizar passageiros que estiveram no mesmo voo comercial que ela para monitoramento.
Sobre o Hantavírus
A hantavirose é uma doença respiratória grave que pode causar febre alta, dores musculares e insuficiência pulmonar. A taxa de letalidade é considerada alta, podendo chegar a 40% dos casos. Não existe um tratamento específico para a infecção, sendo os cuidados de suporte (como oxigenação e hidratação) fundamentais para a recuperação.