
Por Jeovan Castro
Há um projeto político em curso para acabar de vez com a família. E a escola, que deveria ser guardiã dos valores que sustentam uma sociedade, está servindo de coveira. A prova? A extinção do Dia das Mães nas salas de aula.
As igrejas comemoram. As ruas comemoram. O comércio comemora. A vida comemora. Mas a escola, justamente a instituição que tinha o dever de relembrar às crianças o poder de uma mãe na criação dos filhos, está proibida de comemorar. Por quê?
O pretexto é pueril e cruel: "para não constranger alunos que não têm mãe". Ora, quantos filhos não têm pais no mundo? Milhões. E a escola continua comemorando o Dia dos Pais. Ninguém fica traumatizado por isso. Ninguém decreta o fim da data porque um aluno é órfão de pai. Mas quando se trata da mãe, inventam um sofrimento seletivo.
A hipocrisia salta aos olhos. Não se trata de proteger criança. Trata-se de apagar a figura da mãe. Porque mãe é símbolo de origem, de cuidado, de sacrifício, de lar. Mãe é a última barreira que ainda segura o conceito de família de pé. Derrubando a mãe, derruba-se a família.
E aqui está o ponto: o ciclo natural das mães, assim como de tudo que é vivo, é morrer. Todos perderemos a mãe um dia. Ou já perdemos. A escola vai proibir que se fale da morte também? Vai censurar a saudade? Vai decretar que lembrar é constranger? A ausência não se resolve com silêncio. Se resolve com memória, com homenagem, com gratidão. Proibir a lembrança é matar duas vezes.
Qual pretexto está por trás desta proibição? O projeto é claro: desmontar todos os referenciais afetivos e naturais para que sobre apenas um tutor. Se a escola não pode falar de mãe, se não pode celebrar quem gerou, quem amamentou, quem virou noites, então quem sobra? "Dia de quem cuida de mim". E quem vai cuidar? O Estado. Um abrigo. Um albergue. Uma rua.
Mesmo porque a escola não tem mais braços para abraçar nada, pois já é tudo: médica, psicóloga, educadora, babá...
A escola entrou nessa onda com efeito manada, sem pestanejar. Repetindo cartilha, cancelando cartaz, suspendendo apresentação. Amordaçando professor e calando aluno. Hoje é o Dia das Mães. Amanhã será o Dia dos Pais. Depois, qualquer data que lembre que viemos de um homem e uma mulher. No futuro não haverá mais Dia das Mães nem como lembrança. Será apagado da memória coletiva como se nunca tivesse existido.
Esta é a última pá de cal sobre o que um dia foi família. Começaram pela mãe porque sabem que, destruindo a mãe, não sobra mais nada. E quando a última criança for proibida de desenhar um coração no papel e escrever "te amo, mainha", aí sim o projeto terá vencido.
Lembrando que, com esta ação de apagar a comemoração com o real título, Dia das Mães, estamos criando uma sociedade de pessoas fracas que nunca estarão preparadas para a perda, que é algo inevitável.
Resta saber se vamos assistir calados enquanto enterram nossa própria origem.