
Novos desdobramentos sobre as atividades do Banco Master, de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro, revelam que o envolvimento da instituição com produções cinematográficas de figuras políticas não se restringe a um único espectro ideológico. Segundo informações publicadas pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo desta quarta-feira (13), o banco também financiou obras sobre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Michel Temer.
A revelação surge em meio à repercussão do financiamento parcial do filme sobre Jair Bolsonaro. Na operação envolvendo a cinebiografia do ex-presidente, o Banco Master teria utilizado como garantia do investimento a projeção de arrecadação das bilheterias dos cinemas que exibirão o longa.
Flávio Bolsonaro defende patrocínio privado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) veio a público para esclarecer a natureza da relação com o banqueiro. Segundo o parlamentar, a busca por recursos junto ao então dono do Master visou exclusivamente o financiamento de um "projeto privado".
“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, afirmou o senador, enfatizando que não houve utilização de recursos governamentais ou incentivos fiscais.
Flávio declarou ter conhecido Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, ressaltando que, naquela ocasião, não pesavam acusações ou suspeitas públicas contra o empresário. O senador admitiu ter mantido contatos subsequentes com o objetivo de cobrar a continuidade dos pagamentos necessários para a execução do filme, mas negou categoricamente qualquer irregularidade. “Não ofereci vantagens em troca, nem recebi dinheiro ou qualquer vantagem pessoal”, pontuou.
"Separar inocentes de bandidos"
Diante das controvérsias que cercam as atividades do Banco Master, Flávio Bolsonaro "dobrou a aposta" e defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica para investigar as operações da instituição financeira. Para o senador, a investigação é o caminho para esclarecer os fatos e “separar os inocentes dos bandidos”.
A notícia de que Lula e Temer também tiveram produções financiadas pelo mesmo banco traz um novo componente ao cenário, sugerindo que a atuação da instituição no setor audiovisual buscava diversidade de perfis políticos, mantendo o caráter de investimento comercial em produções de grande apelo biográfico.
Com informações de Lauro Jardim (O Globo).