
SALVADOR – Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (27/05), pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) resultou no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão em Salvador. A ação policial investiga o suposto desvio de mais de R$ 1 milhão em verbas públicas destinadas a eventos voltados ao público LGBTQIA+ durante o Carnaval de Salvador de 2025. O alvo das investigações incluiu endereços ligados à Associação Show Riso, no bairro Matatu de Brotas, e a servidores da Secretaria Municipal da Reparação (Semur).
Segundo as investigações do Ministério Público, o esquema envolveria crimes de peculato, fraude em licitações e desvio de recursos públicos. Entre os cinco investigados estão a ex-vereadora de Salvador, Léo Kret, que atuava como diretora de Políticas Públicas e Promoção da Cidadania LGBT da Semur, e Camila do Nascimento Carmo, gerente de Promoção dos Direitos e Igualdade Racial da mesma secretaria.
De acordo com o MP, a verba investigada teria sido repassada para a Associação Show Riso. Também são alvos da operação o presidente da entidade, Paulo César Vieira da Silva, o diretor Rômulo Lima Fontoura, e Gisleide Oliveira dos Santos, apontada pelas investigações como a suposta responsável por operar a movimentação financeira do esquema.
Em nota oficial, a prefeitura de Salvador informou que atendeu às recomendações do Ministério Público e realizou a exoneração de Léo Kret e Camila Carmo de seus respectivos cargos.
O Direito ao Contraditório
Em pronunciamento sobre o caso, a ex-vereadora Léo Kret rechaçou veementemente as acusações, questionando a viabilidade de sua participação no suposto desvio devido às atribuições do cargo que ocupava.
"Na verdade, como é que eu vou desviar uma verba pública que nem na minha mão chega? Eu sou diretora de políticas públicas e promoção da cidadania LGBT. Passar por tudo isso para mim é uma decepção, principalmente pelos meios de comunicação que entregaram como se [eu] estivesse presa, né? Uma notícia de uma forma irresponsável", declarou.
Léo Kret também esclareceu as circunstâncias de seu desligamento do órgão municipal e sugeriu que a investigação possui motivações políticas devido ao cenário eleitoral.
"Eu fui exonerada a pedido, pedi até mesmo porque eu não tinha nem cabeça para poder continuar, né, nesse cargo. O meu cargo está à disposição, como sempre esteve. Então meus advogados já estão lá junto com o Ministério Público para poder saber de uma forma transparente o que aconteceu. Eu acredito que, por a gente estar passando por um momento muito sensível pela política, né, eleições agora, eu sou perseguida a minha vida toda, né? Que agora, nessas eleições, não poderia ser diferente. Então te pergunto (...): quem é que vai fazer essa reparação da minha imagem agora? Porque o que saiu na notícia é que eu fui presa por corrupção e que desviei milhões", desabafou a ex-diretora.
Conforme apurado pela equipe jornalística da TV Aratu, veículo de origem, foram feitas tentativas de contato com os demais envolvidos. Paulo César Vieira da Silva e Gisleide Oliveira dos Santos não foram localizados para prestar esclarecimentos. O diretor da associação, Rômulo Lima Fontoura, configurou o telefone celular para não receber chamadas, e a ex-gerente da Semur, Camila Carmo, também não foi encontrada até o fechamento da reportagem. O espaço permanece aberto para as manifestações das defesas.
Fonte da informação: Reportagem do programa Aratu Notícias, da TV Aratu (Afiliada SBT na Bahia).