
WASHINGTON — Em uma decisão de forte impacto geopolítico e segurança pública, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou oficialmente nesta quinta-feira (28) a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de "Terroristas Globais Especialmente Designados" (SDGT, na sigla em inglês).
O anúncio foi chancelado pelo Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que justificou a medida apontando a crescente extensão da influência transnacional e as atividades desses grupos criminosos em solo americano.
A medida ocorre um dia após uma comitiva da oposição brasileira — integrada pelos parlamentares Flávio e Eduardo Bolsonaro — cumprir agendas estratégicas em Washington, onde se reuniram diretamente com o ex-presidente Donald Trump e com o próprio Marco Rubio. Fontes ligadas aos parlamentares confirmaram à reportagem da CNN Brasil que relatórios apontando que o crime organizado dominaria parcelas significativas do território nacional foram apresentados às autoridades americanas, gerando forte reação nos bastidores da Casa Branca.
O que muda na prática com a classificação?
Especialistas jurídicos e diplomatas alertam que o status de "Terroristas Globais" retira o PCC e o Comando Vermelho do âmbito meramente doméstico da segurança pública brasileira, inserindo-os no radar de defesa nacional dos Estados Unidos. As consequências jurídicas e práticas são severas:
Bloqueio de Ativos: O governo americano passa a ter prerrogativa legal para congelar imediatamente quaisquer bens, contas bancárias ou imóveis ligados às facções ou a indivíduos associados a elas em território internacional.
Monitoramento em Dólar: Transações que utilizem o sistema bancário norte-americano ou a moeda de circulação global passarão por um filtro antiterrorismo agressivo, impondo forte pressão de compliance sobre as instituições bancárias brasileiras.
Sanções Secundárias: Empresas ou indivíduos que fizerem negócios com alvos designados poderão sofrer sanções econômicas severas por parte de Washington.
Prerrogativa Militar e Operacional: Sob a doutrina de combate ao narcoterrorismo, os EUA ganham uma justificativa jurídica interna para operações de inteligência, apreensão e interceptações em águas internacionais (como já ocorre no Caribe e no Pacífico).
Polarização interna e mal-estar diplomático
A decisão gerou reações polarizadas no cenário político brasileiro, transformando-se em uma clara bandeira eleitoral. Enquanto o entorno de Flávio Bolsonaro celebra a medida como um "trunfo para a segurança pública", alegando que a oposição atuou de forma mais contundente contra as facções do que o governo federal, o Palácio do Planalto e o Itamaraty encaram o movimento com extrema preocupação.
Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a classificação é interpretada como uma afronta direta à soberania nacional e uma tentativa de ingerência externa na condução das políticas de segurança do país. O Ministério das Relações Exteriores vinha tentando conter a pauta — inclusive em encontros bilaterais anteriores —, defendendo que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação policial e de inteligência, sem a atribuição de rótulos de natureza militar ou antiterrorista.
O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores ainda não emitiram notas oficiais de resposta ao comunicado do Departamento de Estado americano, mas diplomatas antecipam que a medida deve abrir uma das frentes mais espinhosas na relação diplomática entre Brasília e Washington nos últimos anos.
Com informações da CNN Brasil.