Sexta, 12 de Junho de 2026
18°C 31°C
Pojuca, BA
Publicidade

EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas globais após pressão da oposição brasileira

Decisão assinada pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, permite intervenções financeiras drásticas e eleva tensão diplomática com o governo Lula

Redação
Por: Redação Fonte: CNN Brasil
28/05/2026 às 19h56 Atualizada em 28/05/2026 às 20h14
EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas globais após pressão da oposição brasileira
Foto: BAE Business

WASHINGTON — Em uma decisão de forte impacto geopolítico e segurança pública, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou oficialmente nesta quinta-feira (28) a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de "Terroristas Globais Especialmente Designados" (SDGT, na sigla em inglês).

O anúncio foi chancelado pelo Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que justificou a medida apontando a crescente extensão da influência transnacional e as atividades desses grupos criminosos em solo americano.

A medida ocorre um dia após uma comitiva da oposição brasileira — integrada pelos parlamentares Flávio e Eduardo Bolsonaro — cumprir agendas estratégicas em Washington, onde se reuniram diretamente com o ex-presidente Donald Trump e com o próprio Marco Rubio. Fontes ligadas aos parlamentares confirmaram à reportagem da CNN Brasil que relatórios apontando que o crime organizado dominaria parcelas significativas do território nacional foram apresentados às autoridades americanas, gerando forte reação nos bastidores da Casa Branca.

O que muda na prática com a classificação?

Especialistas jurídicos e diplomatas alertam que o status de "Terroristas Globais" retira o PCC e o Comando Vermelho do âmbito meramente doméstico da segurança pública brasileira, inserindo-os no radar de defesa nacional dos Estados Unidos. As consequências jurídicas e práticas são severas:

Bloqueio de Ativos: O governo americano passa a ter prerrogativa legal para congelar imediatamente quaisquer bens, contas bancárias ou imóveis ligados às facções ou a indivíduos associados a elas em território internacional.

Monitoramento em Dólar: Transações que utilizem o sistema bancário norte-americano ou a moeda de circulação global passarão por um filtro antiterrorismo agressivo, impondo forte pressão de compliance sobre as instituições bancárias brasileiras.

Sanções Secundárias: Empresas ou indivíduos que fizerem negócios com alvos designados poderão sofrer sanções econômicas severas por parte de Washington.

Prerrogativa Militar e Operacional: Sob a doutrina de combate ao narcoterrorismo, os EUA ganham uma justificativa jurídica interna para operações de inteligência, apreensão e interceptações em águas internacionais (como já ocorre no Caribe e no Pacífico).

Polarização interna e mal-estar diplomático

A decisão gerou reações polarizadas no cenário político brasileiro, transformando-se em uma clara bandeira eleitoral. Enquanto o entorno de Flávio Bolsonaro celebra a medida como um "trunfo para a segurança pública", alegando que a oposição atuou de forma mais contundente contra as facções do que o governo federal, o Palácio do Planalto e o Itamaraty encaram o movimento com extrema preocupação.

Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a classificação é interpretada como uma afronta direta à soberania nacional e uma tentativa de ingerência externa na condução das políticas de segurança do país. O Ministério das Relações Exteriores vinha tentando conter a pauta — inclusive em encontros bilaterais anteriores —, defendendo que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação policial e de inteligência, sem a atribuição de rótulos de natureza militar ou antiterrorista.

O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores ainda não emitiram notas oficiais de resposta ao comunicado do Departamento de Estado americano, mas diplomatas antecipam que a medida deve abrir uma das frentes mais espinhosas na relação diplomática entre Brasília e Washington nos últimos anos.

Com informações da CNN Brasil.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias