
O combate à violência de gênero e à escalada alarmante de casos de feminicídio no Brasil ganhou um novo e vigoroso capítulo em Pojuca. Na manhã desta segunda-feira, 1º de junho de 2026, às 9h, a Praça ACM foi o cenário do lançamento oficial do movimento Mulheres Vivas no município. O evento reuniu centenas de pessoas, entre autoridades, homens, mulheres e a comunidade local, todos unidos pelo lema "Basta de Feminicídio".
A campanha na Bahia é liderada pela deputada federal Ivoneide Caetano (PT), única representante feminina do partido pelo Estado no Congresso Nacional. O ato político e social contou com o apoio expressivo do prefeito Luizinho Trinchão, do presidente da Câmara Municipal, Leandro da 29, do vereador Betão, e das vereadoras Nenga do Sindicato, Gerusa Laudano e Gal da Maternidade.
O foco central do "Mulheres Vivas" é a conscientização e a exigência de políticas públicas mais rigorosas, mobilizando a sociedade civil e homens públicos para que a proteção à vida das mulheres seja uma prioridade absoluta na agenda política de 2026.
Depoimentos Marcantes e Vozes da Luta
O doloroso e inspirador testemunho de Hana Almeida
O momento mais emocionante do evento foi o relato de Hana Almeida, de 27 anos. Em um testemunho contundente, ela relembrou o dia em que foi arremessada de um carro em movimento junto com o seu filho de apenas três meses pelo seu ex-companheiro, na cidade de Camaçari.
Após uma longa batalha por justiça, Hana conseguiu o Botão do Pânico — dispositivo de segurança concedido pelo Judiciário para proteger mulheres com medidas protetivas de urgência ativas.
"Eu consegui o botão do pânico sendo um exemplo de buscar os direitos. Eu venci e quero que outras mulheres também vençam. Na verdade, eu quero que isso acabe. A violência não é só física; ela é psicológica, é sexual, é patrimonial... E isso tem que acabar", desabafou Hana, conclamando as mulheres a não aceitarem o ciclo de abusos.
Deputada Federal Ivoneide Caetano: "Nossa meta é zerar o feminicídio"
Em sua fala, a deputada Ivoneide Caetano reforçou o compromisso do mandato e do Governo Federal com a pauta, destacando ações recentes na Câmara dos Deputados e a importância da autonomia financeira das mulheres.
"Eu não poderia, como deputada federal, mulher e única do meu partido na Bahia, me eximir dessa pauta tão importante, que o presidente Lula trouxe para si. Lançamos o Pacto Federativo contra o Feminicídio e nossa meta é zerar o feminicídio na Bahia. Apoiamos diversos projetos de lei importantes em março e nosso desafio agora é capacitar essas mulheres para o mercado de trabalho, garantindo independência financeira para que quebrem o ciclo de violência. O movimento está avançando; as mulheres estão encorajadas a denunciar e estamos cobrando o acolhimento adequado nas delegacias."
Lideranças de Pojuca reforçam o apoio institucional
O presidente da Câmara Municipal, Leandro da 29, destacou a relevância de trazer o debate para o município e a corresponsabilidade dos homens na causa:
"Esse é um movimento que a nossa deputada está levando a toda a Bahia e Pojuca não poderia ficar de fora. É uma luta não só das mulheres, mas de nós homens também. Pojuca já abraçou essa causa. Quem vir qualquer situação de violência, ligue para o 180 e denuncie. Nós homens surgimos através de uma mulher, ela é fundamental."
A vereadora Gerusa Laudano também expressou seu orgulho em fazer parte da mobilização:
"Para mim é um prazer imenso participar desse movimento tão importante e que merece todo o nosso apoio diante de tantos feminicídios no país e na Bahia. Parabenizo a deputada Ivoneide por liderar essa luta e pedir o apoio de todos os políticos para darmos um basta. Queremos nossas mulheres com liberdade e direito de viver e ser o que quiserem."
"Essa é uma luta de todos nós. Aqui não existe situação ou oposição, já tivemos diversas pautas de colegas referentes ao feminicídio, especialmente das vereadoras Gerusa Laudano, Nenga e Gal da Maternidade", destacou Betão.
A vereadora Nenga do Sindicato reforçou que a iniciativa conta com o respaldo direto do Governo do Estado e Federal, evidenciando a urgência de respostas coletivas diante do aumento da violência. "Foi muito interessante esse movimento vir para Pojuca para termos uma dimensão de como combater o feminicídio", afirmou a parlamentar.
Com o encerramento do ato em Pojuca, o movimento "Mulheres Vivas" segue em caravana pela Bahia, consolidando-se como um dos maiores clamores populares por justiça, acolhimento e sobrevivência das mulheres baianas.









