Bahia POJUCA
Arraiá do Juca 2026: Cancelamento de atrações divide opiniões na Câmara de Pojuca e acende alerta no comércio local
Sessão ordinária foi marcada por debates intensos; em entrevista à Zoom TV, parlamentares de situação e oposição detalharam seus posicionamentos sobre os rumos dos festejos juninos.
09/06/2026 12h34 Atualizada há 2 dias
Por: Paulo Silva Fonte: Zoom TV
O centro da discussão girou em torno do equilíbrio fiscal do município versus a frustração de expectativas econômicas. | Foto: ASCOM/ Câmara de Pojuca

POJUCA — A sessão ordinária da Câmara Municipal de Pojuca realizada nesta terça-feira (9) teve como principal ponto de debate a recente decisão do Executivo de cancelar parte das atrações inicialmente previstas para o Arraiá do Juca 2026.

O assunto, que já vinha repercutindo fortemente nas redes sociais, ecoou no plenário com posicionamentos firmes tanto da bancada de oposição quanto dos parlamentares governistas.

O centro da discussão girou em torno do equilíbrio fiscal do município versus a frustração de expectativas econômicas. De um lado, parlamentares expressaram profunda preocupação com os comerciantes, barraqueiros, hotéis e o setor de serviços local, que realizam investimentos antecipados contando com o fluxo turístico do São João.

De outro, defendeu-se a responsabilidade administrativa diante de ajustes orçamentários necessários.

O Impacto no Comércio Local

Para o comércio de Pojuca, as festas juninas representam o período de maior faturamento do ano. Setores de vestuário, alimentos e bebidas costumam contratar trabalhadores temporários e reforçar os estoques nos meses que antecedem o evento.

Vereadores que criticaram os cancelamentos pontuaram que a mudança abrupta na grade de atrações diminui o poder de atração do Arraiá do Juca em relação aos municípios vizinhos, o que pode culminar em prejuízos financeiros para quem já havia se planejado. Em contrapartida, parlamentares alinhados à gestão ressaltaram que a festa continua garantida e que o comércio ainda terá um aquecimento com as atrações confirmadas e a valorização dos artistas locais.

Exclusivo: O que dizem os vereadores à Zoom TV

Nossa equipe de reportagem ouviu os parlamentares logo após a sessão. O cenário revela uma polarização clara entre a defesa da austeridade fiscal e a cobrança por planejamento e proteção social aos trabalhadores locais.

A Voz da Situação (Base de Apoio)

Fábio das Virgens (Situação): O parlamentar argumentou que o cancelamento decorre de uma recomendação preventiva do Ministério Público sobre gastos excessivos identificados em diversos municípios baianos. Para ele, a prioridade agora é fiscalizar o destino dessa verba economizada e direcioná-la para demandas essenciais da população.

"O Ministério Público fez uma atuação em todas as cidades, alertando as prefeituras sobre a questão desses gastos... se ia se investir esse dinheiro nessas contratações, já que não vai mais fazer, a grande questão é: esse recurso agora vai ser empregado aonde? Em quê? São em obras de saneamento, de infraestrutura? Acho que isso é a grande pergunta e o grande 'x' do questionamento hoje."

Sandro Paim (Situação): Reconheceu que a medida gera impactos negativos imediatos na economia e nos comerciantes, expressando que, idealmente, os cortes de atrações já anunciadas não deveriam ocorrer. Contudo, justificou que a decisão do prefeito Luís Trinchão buscou resguardar a integridade jurídica e a saúde financeira da prefeitura diante das imposições de órgãos reguladores.

"Realmente impactou... o impacto nos comerciantes locais. Agora, o prefeito ressalta constantemente que foi o Ministério Público que impôs umas normas nesse ano, de tal maneira que venha a prejudicar as prefeituras municipais... Eu acho que não deveria ter os cortes das bandas que já estavam em evidência... mas o prefeito optou a não fazer com aquelas bandas para não responder futuramente."

A Voz da Oposição

Vereador Betão (Oposição): Criticou duramente a gestão municipal, classificando as justificativas dadas pelo Executivo como falsas. Segundo o vereador, a prefeitura utilizou o Ministério Público como "bode expiatório" para mascarar uma falta de planejamento financeiro e a ausência de contratos formais com as atrações de peso que haviam sido prometidas à população.

"O que está por detrás disso é uma grande mentira do Executivo. Tanto o prefeito quanto o secretário mentiram, não falaram a realidade para o povo de Pojuca. Jogou no colo do Ministério Público... Lançaram uma propaganda enganosa, não tem comprovante nenhum no papel das contratações dessas bandas. Enganaram a população... Inventou essa grande mentira e jogou no colo do Ministério Público."

Nenga do Sindicato (Oposição): Apontou que o maior erro da prefeitura foi a total falta de diálogo prévio e de planejamento articulado. A vereadora lamentou o impacto direto sobre a renda das famílias mais vulneráveis, como barraqueiros e ambulantes, além do prejuízo cultural que faz com que a população migre para os festejos de outras cidades.

"Faltou diálogo e planejamento. Se o Ministério Público notificou a prefeitura, a prefeitura teria que ver de uma outra forma para não onerar os barraqueiros, os ambulantes que vendem, porque também iria ajudar a cidade com as atrações... São João é tradição e a população sair daqui para ir para outro lugar porque as atrações não estão coerentes com o tamanho da nossa população, claro que a gente fica triste."