
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) que o El Niño já está em andamento e deve permanecer ativo nos próximos meses. A agência diz que há 63% de chance de o fenômeno atingir a categoria muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Se a projeção se confirmar, o episódio ficará entre os mais intensos registrados desde 1950.
Os modelos climáticos também indicam que o El Niño deve continuar ativo até o verão de 2027. Atualmente, a probabilidade de permanência do fenômeno varia entre 97% e 99% nos próximos meses.
Por que a confirmação aconteceu agora?
O Oceano Pacífico já vinha apresentando sinais de aquecimento nos últimos meses, mas os especialistas ainda aguardavam outros indícios para confirmar oficialmente o fenômeno.
Nas últimas semanas, os meteorologistas identificaram mudanças nos ventos e no comportamento da atmosfera que confirmaram a atuação do El Niño. Com isso, a NOAA encerrou o estágio de monitoramento e passou a considerar o evento oficialmente estabelecido.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático ligado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador. Essa mudança interfere na circulação dos ventos e influencia o comportamento das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do planeta.
Os efeitos podem durar vários meses e variar de intensidade, afetando desde a agricultura até a disponibilidade de água e a ocorrência de eventos extremos.
El Niño deve se fortalecer até o verão
A expectativa é que o El Niño ganhe força ao longo do segundo semestre de 2026, com efeitos mais perceptíveis entre a primavera e o verão do Hemisfério Sul.
Se alcançar a intensidade prevista pelos modelos, o episódio passará a integrar o grupo dos eventos mais fortes já registrados, ao lado dos El Niños de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.
O que pode mudar no Brasil?
Ainda é cedo para definir exatamente quais serão os impactos em cada região do país, mas alguns efeitos costumam aparecer durante episódios de El Niño.
Entre eles estão:
• mais chuva no Sul do Brasil;
• maior frequência de temporais e episódios de chuva intensa na região;
• redução das chuvas em partes do Norte e do Nordeste;
• temperaturas acima da média em grande parte do país.
Os especialistas ressaltam que esses padrões não se repetem da mesma forma em todos os eventos. Outros fatores climáticos também influenciam o comportamento da atmosfera e podem reforçar ou reduzir os efeitos normalmente associados ao El Niño.
Quando os efeitos devem ficar mais evidentes?
Segundo a NOAA, a influência do El Niño sobre a América do Sul deve aumentar durante a primavera de 2026.
Os efeitos devem ficar mais evidentes entre outubro de 2026 e março de 2027, período em que o aquecimento das águas do Pacífico deve alcançar o pico de intensidade.