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Líder do Governo no Senado, Jaques Wagner, é Alvo de Busca e Apreensão da PF

Nona fase da operação investiga suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master; empresário Augusto Ferreira Lima também está entre os investigados.

Redação
Por: Redação
18/06/2026 às 09h41
Líder do Governo no Senado, Jaques Wagner, é Alvo de Busca e Apreensão da PF
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os alvos centrais dos mandados de busca e apreensão estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo Lula no Senado Federal, e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, agentes da Polícia Federal cumprem 18 mandados de busca e apreensão distribuídos no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia. Esta é a primeira etapa da operação que atinge diretamente figuras do núcleo político próximo à presidência da República.

Medidas Cautelares e Escopo da Investigação

Além das buscas nos endereços dos investigados, o STF determinou a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. Os alvos da operação estão submetidos a:

Proibição de contato entre si;

Suspensão e retenção de passaportes;

Monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Segundo a nota oficial divulgada pela Polícia Federal, os fatos investigados nesta fase podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O foco das autoridades é apurar a suposta participação e favorecimento de agentes públicos com prerrogativa de foro privilegiado na blindagem ou facilitação das movimentações financeiras ilícitas ligadas ao Banco Master.

O Mecanismo das Fraudes

A Operação Compliance Zero debruça-se sobre fraudes estimadas em bilhões de reais. De acordo com os relatórios investigativos, o esquema baseava-se na emissão e negociação de ativos e títulos de dívida sem o devido respaldo técnico ou lastro real.

Após a aprovação contábil por brechas do sistema, esses créditos fraudulentos eram substituídos por outros ativos com o objetivo de mascarar rombos estruturais e inflar de forma artificial os balanços financeiros da instituição, lesando correntistas e o erário público.

A Conexão Baiana

O elo entre o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como "Guga Lima", remonta ao período em que Wagner chefiava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia. À época, ocorreu o processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e da rede de supermercados Cesta do Povo.

O ativo adquirido por Lima incluía o serviço de cartões de crédito consignado para servidores públicos (CredCesta), que posteriormente foi acoplado à estrutura societária do Banco Master (antigo Banco Máxima), aproximando o empresário do banqueiro Daniel Vorcaro.

O Outro Lado

Em manifestações e entrevistas anteriores sobre o caso, o senador Jaques Wagner negou categoricamente qualquer envolvimento com irregularidades ou as fraudes sob investigação. O parlamentar afirmou, em ocasiões passadas, estar "tranquilo" e que sua única relação com o empresário se deu estritamente dentro da legalidade no processo de desestatização da rede baiana, que, segundo ele, gerava prejuízos ao estado. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria do senador não havia emitido novo posicionamento sobre os mandados de hoje.

A defesa de Augusto Ferreira Lima, representada pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello, declarou em nota que as diligências realizadas nesta quinta-feira eram "desnecessárias", uma vez que o empresário já se encontra há seis meses à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A defesa reiterou que seu cliente "sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas".

O portal Zoom TV segue acompanhando os desdobramentos da operação e atualizará as informações assim que novos pronunciamentos oficiais forem submetidos à redação.

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