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Cúpula pré-COP30 tem esvaziamento diplomático e ausência de líderes do Mercosul e Brics chama atenção

Cúpula pré-COP30 tem esvaziamento diplomático e ausência de líderes do Mercosul e Brics chama atenção

Por: Zoom Tv Brasil
10/11/2025 às 15h49 Atualizada em 10/11/2025 às 18h49
Cúpula pré-COP30 tem esvaziamento diplomático e ausência de líderes do Mercosul e Brics chama atenção
Foto: Reprodução
A reunião de chefes de Estado que antecedeu os debates técnicos da COP30, em Belém (PA), terminou marcada por um esvaziamento diplomático que repercutiu entre diplomatas e negociadores internacionais. O encontro, que tinha o objetivo de reforçar a posição brasileira na agenda climática e ambiental, acabou exposto pela ausência de líderes de países do Mercosul e, sobretudo, dos membros do Brics, grupos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado fortalecer politicamente em seu terceiro mandato. A ausência mais simbólica ocorreu justamente entre os países do Mercosul, bloco cuja presidência rotativa atualmente está sob comando do Brasil. Para diplomatas ouvidos sob reserva, o episódio foi interpretado como um sinal de desconforto político, especialmente por parte da Argentina, governada por Javier Milei, crítico de Lula e do alinhamento entre governos de esquerda na região. Há quem fale, nos bastidores, em um boicote articulado. O esvaziamento também se repetiu no Brics, grupo ao qual o governo brasileiro atribui papel estratégico na reconfiguração das relações geopolíticas e comerciais globais. Nenhum dos líderes dos países do bloco compareceu ao encontro:
  • Xi Jinping (China)
  • Vladimir Putin (Rússia)
  • Narendra Modi (Índia)
  • Cyril Ramaphosa (África do Sul)
A ausência coletiva ocorre após declarações de Lula defendendo a redução do peso do dólar nas transações internacionais e maior alinhamento econômico entre países emergentes — discurso que não tem encontrado consenso nem no bloco, nem no ambiente financeiro global. Diplomatas experientes acreditam que a decisão dos países ausentes não foi casual. A avaliação circula no Itamaraty: ao deixar Lula sem os aliados que ele costuma exaltar, Brics e Mercosul teriam mandado um sinal político para os Estados Unidos — especialmente diante da possível volta de Donald Trump ao poder. A carta diplomática, segundo essa leitura, seria clara: Lula não fala pelo bloco e não há consenso interno sobre sua estratégia de reposicionamento global. Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores não se manifestou sobre o esvaziamento. Fontes da diplomacia relatam desconforto com a repercussão, especialmente porque o governo havia planejado o evento como vitrine internacional para reforçar o protagonismo do Brasil na agenda climática. A ausência foi notada inclusive entre governos ideologicamente próximos. O presidente Yamandú Orsi, do Uruguai — considerado uma das poucas lideranças de esquerda eleitas recentemente na região — também não compareceu.
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