
Mãe, para um pouquinho o que você está fazendo. Senta aqui comigo e respira fundo.
A gente cresceu ouvindo aquela velha história, não foi? "Dá um beijinho no tio", "abraça a visita para não fazer desfeita", "criança educada faz o que o adulto pede". Quantas vezes a gente não engoliu seco e obrigou nossos pequenos a fazerem isso só para não parecer "falta de educação"?
Mas hoje o NEUROPAPO veio aqui para te dar um choque de realidade necessário: nem todo carinho é de verdade. E o seu filho — preste bem atenção — não é obrigado a aceitar nenhum toque que faça o corpo dele se fechar.
Ensina a sua criança a dizer NÃO. Isso não é rebeldia, é proteção.
Treine isso em casa de forma leve, como uma brincadeira: — "Filho, se alguém quiser te abraçar e você não quiser, o que você fala?" — "NÃO!" — "Muito bem! E se a pessoa insistir?" — "NÃO, SAI!" — "Isso mesmo, a mamãe está orgulhosa."
Grave bem isso: adulto bom respeita o "não" da criança. Aquele adulto que força o carinho, que usa a chantagem emocional do tipo "ah, mas eu sou sua tia, deixa de bobagem", não está sendo carinhoso. Está sendo abusivo. O corpo do seu filho é dele. Não é seu, não é do avô, não é da igreja. É exclusivamente dele.
Se você tem um filho não-verbal, essa dúvida deve assombrar os seus dias. Mas escuta o conselho da sua neuropsicopedagoga: o filho que não fala grita com o corpo. Você só precisa aprender a escutar com os olhos.
O "NÃO" de uma criança não-verbal tem 4 sons claros:
1. A mãozinha que empurra: Se ele empurrou a visita, ele está dizendo "SAI". Não brigue com ele por isso. Brigue por ele. Diga na hora: "Ele não quer agora, e tá tudo bem".
2. O corpo que congela: Ficou durinho no colo de alguém? Virou uma estátua? Esqueça a desculpa da timidez. Isso é pânico. Tire ele dali imediatamente. "Vem cá com a mamãe, amor". O colo seguro é o seu.
3. O choro que aparece do nada: Ele estava brincando super bem, a visita chegou e ele desabou a chorar? Ele está te sinalizando que não se sente seguro ali. Não force, não diga "deixa de ser bobo". Pegue-o no colo e saia do ambiente. Depois você se explica para a visita, porque a prioridade é ele.
4. Os pés que fogem: Correu para trás de você, se escondeu no quarto ou se enfiou debaixo da mesa? Ele votou. E o voto dele foi "NÃO". Respeite a urna.
O alerta de ouro: Se você ignora o "não" que ele diz com o corpo hoje, amanhã ele não vai confiar em você para contar o "não" que ele não conseguiu dizer com a boca.
Para transformar essa conversa em atitude na sua rotina, adote esses quatro passos:
Acredite primeiro: Antes de "passar pano" para a postura de um adulto, acolha e valide o choro ou o incômodo do seu filho.
Crie um código secreto: Se a criança tem dificuldades na fala, combinem um sinal silencioso: piscar três vezes seguidas, puxar a sua blusa com força ou te entregar um cartão colorido. Esse será o pedido de socorro dele.
Avise a escola e os terapeutas: Deixe a rede de apoio alinhada. Avise: "Meu filho diz 'não' virando a cabeça para o lado oposto. Se ele fizer isso, parem a atividade na hora".
Nunca puna o "NÃO": Se ele empurrou o priminho porque não queria o toque, não dê castigo. Conduza a situação: "Você não queria o abraço, né? Da próxima vez a gente fala 'não quero' junto com a mamãe, tá bom?".
Seu filho não nasceu para ser "bonzinho" e agradar todo mundo. Ele precisa ser seguro, e segurança é algo que se ensina dentro de casa.
Se algo doeu aí dentro ao ler esse texto, respira. Nós fomos criadas para sermos boazinhas e obedientes. Mas nós vamos criar os nossos filhos para serem livres e protegidos. O NeuroPapo é exatamente sobre isso: transformar as dores que a gente carrega no peito em colo seguro para oferecer a eles.
Às vezes, a gente salva uma vida inteira apenas ensinando uma criança que ela tem o direito de dizer NÃO.
Compartilhe essa matéria com outras mães. Proteção também é cultura.
Até o próximo papo!